Atividade Física · Doença Renal Crônica

Exercício na doença renal crônica:
evidências e protocolo prático

André, 41 anos, em hemodiálise, completou a Maratona de São Paulo. Um relato clínico sobre exercício, monitoramento e protocolo prático na doença renal crônica.

BB
Dr. Bruno Biluca
Nefrologista — CRM ativo
Atividade Física & DRC
⏱ 5 min de leitura
Maratona de São Paulo
Documentário · Sobre Correr

Sedentarismo na DRC

O sedentarismo em pacientes com doença renal crônica não é uma conduta aceitável — e por muito tempo foi tratado como tal. O acúmulo de evidências científicas da última década é claro: pacientes dialíticos que permanecem sedentários apresentam sarcopenia urêmica (perda progressiva de massa e força muscular causada pelo acúmulo de toxinas no sangue), piora do controle cardiovascular e maior mortalidade quando comparados àqueles que se mantêm fisicamente ativos.

As diretrizes KDIGO 2022 são explícitas: atividade física regular é recomendada para todos os pacientes com DRC, incluindo aqueles em programa de hemodiálise.

Relato

André, 41 anos, em hemodiálise há dois anos, completou a Maratona de São Paulo — 42 quilômetros — após protocolo de treinamento progressivo de 22 meses sob acompanhamento médico. O processo foi documentado no curta-metragem "Sobre Correr", disponível no YouTube.

Este não é um caso isolado de superação. É a demonstração prática de que, com protocolo adequado e monitoramento rigoroso, pacientes dialíticos podem atingir níveis expressivos de condicionamento físico.

Por que o exercício é especialmente importante na DRC

As toxinas urêmicas (substâncias que os rins doentes não conseguem eliminar adequadamente) inibem a síntese proteica muscular e promovem catabolismo (degradação do músculo). Somam-se a isso anemia, disfunção autonômica (alteração no sistema nervoso que regula a resposta cardíaca ao esforço) e o custo metabólico da própria diálise. O resultado é um paciente progressivamente descondicionado, com menor reserva funcional e maior risco cardiovascular.

O exercício aeróbico regular, quando bem prescrito, antagoniza diretamente esses mecanismos. Estudos com exercício intradialítico (realizado durante a própria sessão de diálise) demonstram ainda melhora na eficiência de depuração de ureia — o paciente que se exercita dialisa melhor.

O acompanhamento durante o treinamento

Além da evolução gradativa da carga de treino — respeitando a tolerância individual e sem aumentos abruptos de volume ou intensidade — alguns aspectos foram fundamentais nesse acompanhamento:

Pontos-chave do acompanhamento

Princípios para a prática clínica

O que avaliar e monitorar

⚠ Quando interromper e procurar o médico

Pontos essenciais deste artigo

Referências

  1. Heiwe S, Jacobson SH. Exercise training for adults with chronic kidney disease. Cochrane Database Syst Rev. 2011.
  2. KDIGO 2022 Clinical Practice Guideline for Diabetes Management in Chronic Kidney Disease. Kidney Int. 2022.
  3. Clarkson MJ, et al. Exercise for renal transplant recipients: a systematic review. Am J Transplant. 2019.
  4. Viana JL, et al. Evidence for anti-inflammatory effects of exercise in CKD. J Am Soc Nephrol. 2014.
  5. Johansen KL. Exercise in the end-stage renal disease population. J Am Soc Nephrol. 2007.
  6. Documentário "Sobre Correr". YouTube, 2022. Disponível em: youtube.com/watch?v=SfyPJ4ez04U